15/05/2008

Acordo Tortográfico


No passado dia 8 de Maio um Manifesto/Petição contra o Acordo Ortográfico, assinado por 17.300 pessoas foi entregue a Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República.
Hoje, uma semana depois, o número de assinantes já duplicou: mais de 34.000.
Encontrei um texto "Acordo Tortográfico" de Miguel Esteves Cardoso, publicado em 1986, gostei.
E a imagem acima vi no blogue: http://pensovisual.blogspot.com/

9 comentários:

Anónimo disse...

A Língua portuguesa está a passar por um período de implantação, quer nos países Africanos de Língua Portuguesa, quer em Timor Leste. Na Guiné-Bissau esteve até para ser adoptado o Francês como língua oficial e em Timor-Leste o Inglês. Daí será fácil concluir que a língua portuguesa nas nossas ex-colónias não ficou muito bem cimentada. Esses países já não são colónias portuguesas, são livres e tanto poderão seguir o português falado em Portugal, por 10 milhões de habitantes, como o português falado no Brasil, por 220 milhões.

Se Portugal teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações.

Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.

O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. A população do Brasil permite altas tiragens das publicações que ficarão mais baratas e, se houver maior harmonização, as editoras portuguesas (e amanhã dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil.

Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto!

Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há cerca de duzentos anos. Outros duzentos e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas duas línguas distintas.

O acordo ortográfico é uma decisão apenas política e quanto aos linguistas, apenas terão que assimilar as alterações e segui-las. Não se poderá alterar por decreto que uma molécula de água passa a ter dois átomos de oxigénio e outros dois de hidrogénio; ou que 5 vezes 5 passa a ser 28. Mas poderá alterar-se por decreto a grafia de "acção" para "ação" e quem não aceitar a alteração passa a cometer um erro. Com todo o respeito, mas também não são os Juizes que legislam, apenas têm que interpretar e aplicar as leis.

Portugal nada ganhará de imediato com a alteração mas tem muito a perder no futuro se rejeitar agora o acordo que o Brasil está disposto a aceitar.

Ah! já agora, poderá e muito bem continuar a escrever "de facto" porque soletramos o "c". Apenas se eliminam as letras mudas. Neste caso passam a ser permitidas duas formas, pois no Brasil não pronunciam o "c" e por isso não o irão escrever.

Zé da Burra o Alentejano

Rini disse...

O Acordo é hoje discutido no Parlamento.
Para mim continua a ser uma agressão ao património sobretudo para favorecer interesses económicos. Os ingleses vivem muito bem sem acordos ortográficos com os americanos.
Eu preferia um desenvolvimento natural das várias variantes do português no mundo sem acordos impostos por políticos (muitos deles tratam muito mal a língua, basta ouvir as discussões no Parlamento!)

Anónimo disse...

COMPARAÇÕES ENTRE O PORTUGUÊS E O INGLÊS SÃO ABSURDAS: QUANDO SE ENCONTRAM DUAS PESSOAS DE LÍNGUAS DIFERENTES É MUITO NATURAL QUE SE ENTENDAM EM INGLÊS. SE UM DIA HOUVER UMA LÍNGUA UNIVERSAL SERÁ O INGLÊS DOS E.U.A. (HOJE JÁ SE ENSINA ESTA VARIANTE NAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS PORTUGUESAS. TAL NÃO ACONTECIA HÁ 50 ANOS).

CARO RINI: VOCÊ ACREDITA MESMO QUE QUANDO SE ENCONTRAM DUAS PESSOAS COM LÍNGUAS DIFERENTES, A LÍNGUA ESCOLHIDA PARA SE ENTENDEREM É O PORTUGUÊS? NÃO FALE VOCÊ INGLÊS, OU PELO MENOS O FRANCÊS, E VAI ESTAR EM SÉRIAS DIFICULDADES...

Zé da Burra o Alentejano

Rini disse...

Caro Zé,

Não tenho medo de maiúsculos...

Acho que estávamos a falar sobre o acordo ORTOGRÁFICO.
Obviamente não estou a comparar o inglês e o português em termos quantitativos (números de milhões de falantes), mas sim em termos qualitativos de DIREITO À COEXISTÊNCIA das várias formas da língua falada e escrita.
Claro que a língua mais universal é o inglês, mas quanto a mim nunca será o inglês de cowboyada dos Estados Unidos, o terror diário da televisão, Deus me livre.
Oh no, give me rather Shakespeare, my dear!
Até os sotaques pesados de Catherine Tate (que adoro) no "Britcom" soam-me como belcanto em comparação com a algaraviada em certas séries americanas. Pronto, já desabafei...

rui disse...

Eu sou apologista da fusão. Mas o problema de comunicação que poderá existir com o português do brasil é apenas o falado. (eles não nos entendem). sempre nos entendemos na escrita com as nossas ricas e características diferentes.

Não precisamos de nenhum acordo. por esse andar começamos todos a falar ibero-americano...

pedro disse...

se até agora nos entendemos tão bem, não sei qual é o verdadeiro motivo de um inutil acordo.

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