03/03/2009

"A educação é inimiga da sabedoria" - Pirandello


"... l´educazione è la nemica della saggezza, perchè l´educazione rende necessarie tante cose, di cui, per esser saggi, si dovrebbe fare a meno."

"... a educação é inimiga da sabedoria, porque a educação torna necessárias tantas coisas das quais, para sermos sábios, nos deviamos ver livres."

Luigi Pirandello (O prazer da honestidade)

5 comentários:

Ai meu Deus disse...

Pois!...

Mutatis mutandis, Gabriel García Márquez diz o mesmo, quando diz "Há que aprender a deitar fora. Um bom escritor não se identifica tanto pelo que publica como pelo que deita ao caixote do lixo".

Depois de se ter sido "educado", pode prescindir-se da educação (e mesmo apregoar isso). Depois de se (ter aprendido a) produzir escrita, pode-se deitar fora o que se escreveu. O problema é o antes (sem aprender...): pode ser-se sábio sem ser "educado"/ensinado? Pode ditar-se ao caixote do lixo quando se produz pouco?

É claro: estes "chavões" produzem aquele tal impacto...

rui r disse...

Educação, no seu ideológico sentido, seria desenvolver faculades assimlilando conhecimentos. No entanto, a história foi moldando o seu significado a algo mais parecido com domesticar, doutrinar, formatar ou limitar. A quantidade de informação inutil e os métodos que a educação requer, são sem dúvida um entrave à sabedoria.

conheço gente sábia sem educação e outra muito instruída e sem sabedoria

Rini Luyks disse...

Claro que tudo depende da definição de "educação".

Mas concordo com "Ai meu Deus": para aprender a deitar fora temos que ter coisas (eventualmente mal aprendidas) para deitar fora.
Na Holanda o movimento dos Livres Pensadores no século XIX foi curiosamente buscar uma citação da Bíblia: "Onderzoekt alles en behoudt het goede" - "Examinai tudo, retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21).
Não me parece mal pensado.

rui r disse...

O problema é quando não conseguimos "deitar fora" formas de pensar e funcionar que nos foram incutidas pela educação.

Rini Luyks disse...

Pois, Rui, assim entramos também no terreno do "genótipo/fenótipo" no seu contexto social, não!?
O que é que temos dentro de nós e como somos "moldados" pelas circunstâncias (pessoas, meio social, etc.) na sociedade em que crescemos?
Seria interessante saber o que Pirandello pensava sobre a filosófia "iluminada" de Jean-Jacques Rousseau, por exemplo (um dos primeiros modernos que se preocupou com educação, natureza, moral).
Estive agora a reler um resumo das ideias dele na Wikipédia (curiosamente mais completa a versão inglesa do que a francesa!).