11/10/2007

10/10/2007

Aprender a Gostar de São Paulo


Já não é no cruzamento da Avenida Ipiranga com a São João.
Mas é por todo o centro da cidade. Capital da cultura tem mais teatros que Nova York. E Cheios!
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E depois são as pessoas. A beleza das gentes que contrasta com o feio do cimento, da poluição e da pobreza. Encontrar sorrisos e felicidade em quem dorme na rua. Ver o pobre que ajuda o mais pobre. Um tiro aqui, um assalto ali, mas a liberdade está dentro.
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É essa a beleza desta "selva urbana" que me tinha deixado más recordações da última vez que por aqui passei.
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Fomos convidados para fazer temporada de dois meses em São Paulo...
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Amanhã Rio de Janeiro.

08/10/2007

Homenagem a Che Guevara, xadrezista!







No número de Outubro/Novembro 1967, a revista cubana "Jaque Mate" homenageou Che Guevara, o xadrezista.
De cima para baixo (clicar nas páginas para ampliar):
- capa da revista com palavras de Che,
- discurso de Che na abertura de um torneio, frisando a importância do xadrez,
- Che concentrado no jogo,
- Che derrotando um mestre cubano numa sessão simultânea, com visível satisfação.


Che Guevara, hasta siempre!


Faz hoje 40 anos que Che Guevara foi capturado e executado no dia seguinte.
Herói revolucionário, figura polémica, ícone pop... . ele já teve muitos rótulos.
Incrível a história que li ontem no blogue http://perolasnocharco.blogspot.com/ , pode ser considerada a última vitória do Che...
"O militar que executou há 40 anos Che Guevara na selva boliviana acaba de recuperar a vista graças a médicos cubanos do programa Operação Milagre que Havana está a promover na América Latina"....
"O ex-sargento Mario Teran apresentou-se discretamente para ser operado na segunda maior cidade da Bolívia, Santa Cruz, a algumas centenas de quilómetros do local onde, a 9 de Outubro 1967, executou Che Guevara com uma rajada de metralhadora..." (ver post do dia 6 de Outubro no blogue acima referido).
Vídeo de "El Comandante" (canção) no site http://www.youtube.com/watch?v=SynVFM_6ezk&mode=related&search=
(Foto: revista cubana de xadrez Jaque Mate, 1967)

07/10/2007

Cais

"Longe, lá de longe, de onde toda a beleza do Mundo se esconde.
Mande para ontem uma voz que se expanda e suspenda esse instante..."

05/10/2007

Brasil - "Terra de Nosso Senhor"



E lá vamos nós (Companhia do Chapitô) amanhã com "O Grande Criador" para o Brasil fazer meia dúzia de apresentações.


8, 9 e 10 de Outubro em São Paulo no Teatro Sérgio Cardoso, inseridos no projecto "Cena Estrangeira"
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12, 13 e 14 de Outubro no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, na programação do festival riocenacontemporanea
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Uns dias tropicais...
Uns dias de Primavera...
Até já!

04/10/2007

Lançamento Sputnik foi há 50 anos



Como russófilo não posso deixar passar esta comemoração: o Sputnik I, primeiro satélite artificial, foi lançado há 50 anos. Tinha um diámetro de duas vezes uma bola de futebol, um peso de pouco mais de 80 quilos e a sua única função foi a emissão de um sinal bip-bip-bip que qualquer radio-amador podia captar. Mesmo assim foi um momento histórico, o início da corrida espacial entre a União Soviética e os Estados Unidos.
O Sputnik II, lançado um mês depois, tinha a bordo a cadela Kudriavka que não sobreviveu.
Houve cinco voos Sputnik, em 1960 o último levou a bordo dois cachorros Belka e Strelka, 40 ratos e várias plantas. No regresso no dia seguinte todos os animais foram recolhidos com vida.

Beijing 2008



("Bicicletas contra tanques", foto simbólica do massacre chinês na Praça da Paz Celestial).
Hypnotize
Why don't you ask the kids at Tiananmen square?
Was fashion the reason why they were there?
They disguise it, hypnotize it,
Television made you buy it.
I'm just sitting in my car and waiting for my...
She's scared that I will take her away from there
Dreams that her country left with no one there
Mesmerize the simple minded
Propaganda leaves us blinded
I'm just sitting in my car and waiting for my girl
I'm just sitting in my car and waiting for my girl...
(song do álbum "Hipnotize" dos "System of a Down", uma banda metal alternativo de quatro armenio-descendentes)
Petição "Boycot Jogos Olímpicos Beijing 2008" em www.rsf.org/

Birmânia

Toda a gente sabe que os monges budistas na Birmânia são bem mais perigosos e violentos do que qualquer grupo terrorista ou neonazi.




E claro que por lá as criancinhas comem adultos ao pequeno almoço e vão tornar-se perigosos camponeses ou monges budistas.




Para não falar dos manifestantes que são todos mal educados e porcos.

Até deixam sandálias todas sujas largadas no meio da rua.




Felizmente há uma rapaziada que, empenhadamente, vai tentando impor a ordem.



E como não podia deixar de ser, a ajuda internacional tem sido imensa.
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soube agora que hoje é o International Bloggers' Day for Burma
e resolvi acrescentar este link ao post

02/10/2007

Carta do Chefe Índio ao Grande Chefe de Washington

Estava a procurar na net a versão integral desta carta para dar ao meu filho para ler e encontrei dezenas de versões diferentes. Penso que nenhuma delas corresponde ao livro que a minha mãe me ofereceu em miúdo. Foi dos primeiros textos que li em criança e um dos que mais me tocou.
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Parece é que o Grande Chefe de Washington ainda não o conseguiu perceber.
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"O grande chefe de Washington mandou dizer que desejava comprar a nossa terra, o grande chefe assegurou-nos também de sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não precisa de nossa amizade.
Vamos, porém, pensar em sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O grande chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.

As minhas palavras são como as estrelas - elas não empalidecem.

Como podereis comprar ou vender o céu? Como podereis comprar ou vender o calor da terra? A ideia parece-nos estranha. Se a frescura do ar e o murmúrio da água não nos pertencem, como poderemos vendê-los?

Para o meu povo, não há um pedaço desta terra que não seja sagrado. Cada agulha de pinheiro cintilante, cada rio arenoso, cada bruma ligeira no meio dos nossos bosques sombrios são sagrados para os olhos e memória do meu povo.

A seiva que corre na árvore transporta nela a memória dos Peles-Vermelhas, cada clareira e cada insecto que zumbe é sagrado para a memória e para a consciência do meu povo. Fazemos parte da terra e ela faz parte de nós. Esta água cintilante que desce dos ribeiros e dos rios não é apenas água; é o sangue dos nossos antepassados.

Os mortos do homem branco esquecem a sua terra quando começam a viagem através das estrelas. Os nossos mortos, pelo contrário, nunca se afastam da Terra que é Mãe. Fazemos parte dela. E a flor perfumada, o veado, o cavalo e a águia majestosa são nossos irmãos.

As encostas escarpadas, os prados húmidos, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família. Se vendermos esta terra, não ireis, decerto, ensinar aos vossos filhos que ela é sagrada. Como poderei dizer-vos que o murmúrio da água é a voz do pai do meu pai…

Também os rios são nossos irmãos porque nos libertam da sede, arrastam as nossas canoas, trazem até nós os peixes… E, além do mais, cada reflexo nas claras águas dos nossos lagos relata histórias e memórias da vida das nossas gentes. Sim, Grande Chefe de Washington, os nossos rios são nossos irmãos e saciam a nossa sede, levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos.

Se vos vendêssemos a nossa terra, teríeis de recordar e de ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos e também seus. E é por isso que eles devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não percebe a nossa maneira de ser. Para ele um pedaço de terra é igual a um outro pedaço de terra, pois não a vê como irmã mas como inimiga. Depois de ela ser sua, despreza-a e segue o seu caminho.

Deixa para trás a campa dos seus pais sem se importar. Sequestra a vida dos seus filhos e também não se importa. Não lhe interessa a campa dos seus antepassados nem o património dos seus filhos esquecidos. Trata a sua Mãe-Terra e o seu Irmão-Firmamento como objectos que se compram, se exploram e se vendem tal como ovelhas ou contas coloridas. O seu apetite devora a terra, deixando atrás de si um completo deserto.

Não consigo entender. As vossas cidades ferem os olhos do homem pele-vermelha. Talvez seja porque somos selvagens e não podemos compreender. Não há um único lugar tranquilo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desenrolar das folhas ou o rumor das asas de um insecto na Primavera.

O barulho da cidade é um insulto para o ouvido. E eu pergunto-me: que tipo de vida tem o homem que não é capaz de escutar o grito solitário de uma garça ou o diálogo nocturno das rãs em redor de uma lagoa? Sou um pele-vermelha e não consigo entender. Nós preferimos o suave murmúrio do vento sobre a superfície de um lago, e o odor deste mesmo vento purificado pela chuva do meio-dia ou perfumado com o aroma dos pinheiros.

Quando o último pele-vermelha tiver desaparecido desta terra, quando a sua sombra não for mais do que uma lembrança, como a de uma nuvem que passa pela pradaria, mesmo então estes ribeiros e estes bosques estarão povoados pelo espírito do meu povo. Porque nós amamos esta terra como uma criança ama o bater do coração da sua mãe.
Se decidisse aceitar a vossa oferta, teria de vos sujeitar a uma condição: que o homem branco considere os animais desta terra como irmãos.

Sou selvagem e não compreendo outra forma de vida. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecer, abandonados nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco que dispara de um comboio que passa. Sou selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode ser mais importante que o búfalo, que apenas matamos para sobreviver.
Tudo o que acontece aos animais acontecerá também ao homem. Todas as coisas estão ligadas. Se tudo desaparecer, o homem pode morrer numa grande solidão espiritual. Todas as coisas se interligam. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos sobre a terra: que a Terra é nossa Mãe e que tudo o que lhe acontece a nós acontece aos filhos da terra.

Se o homem cuspir na terra, cospe em si mesmo. Sabemos que a terra não pertence ao homem, mas que é o homem que pertence à terra. Os desígnios terrenos são misteriosos para nós. Não compreendemos porque os bisontes são todos massacrados, porque são domesticados os cavalos selvagens, nem por que os lugares mais secretos dos bosques estão impregnados do cheiro dos homens, nem porque a vista das belas colinas está guardada pelos “fios que falam”.

Talvez um dia sejamos irmãos. Logo veremos. Mas estamos certos de uma coisa que talvez o homem branco descubra um dia: o nosso Deus é um mesmo Deus. Agora podeis pensar que Ele vos pertence, da mesma forma que acreditais que as nossas terras vos pertencem. Mas não é assim. Ele é o Deus de todos os homens e a sua compaixão alcança por igual o pele-vermelha e o homem branco.

Esta terra tem um valor inestimável para Ele e maltratá-la pode provocar a ira do Criador. O que é feito dos bosques profundos? Desapareceram. O que é feito da grande águia? Desapareceu também. Mas o homem não teceu a trama da vida: isto sabemos. Ele é apenas um fio dessa trama. E o que lhe faz, fá-lo a si mesmo.

Também os brancos se extinguirão, talvez antes das outras tribos. O homem não teceu a rede da vida. É apenas um fio e está a desafiar a desgraça se ousar destruir essa rede. Tudo está relacionado entre si como o sangue de uma família. E, se sujardes o vosso leito, uma noite morrereis sufocados pelos vossos excrementos. Assim se acaba a vida e só nos restará a possibilidade de tentar sobreviver."
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Carta do Chefe Índio Seattle ao Grande Chefe de Washington, Franklin Pierce, em 1854, em resposta à proposta do Governo norte-americano de comprar grande parte das terras da sua tribo Duwamish, em troca da concessão de uma reserva.

01/10/2007

Festival da Mocidade - Galiza


O Verão acabou e com isso também vão acabar as crónicas da itinerância de Verão da Kumpania Algazarra. Desde o início de Junho foram 40 concertos em Portugal Continente, Açores e Espanha e quase 20.000 quilómetros de estrada (incluindo as "aero-estradas" das quatro viagens aos Açores...).
A última actuação em Setembro levou-nos outra vez à Galiza, ao Festival da Mocidade em Vilar de Santos (Ourense). É um festival "lúdico-reivindicativo", organizado pela associação Aguilhoar em "defesa dos direitos históricos da Galiza e do nosso meio ambiente", como reza a introduçom no folheto (imagem, clicar para ampliar).
Foi uma noite de contrastes entre (muita) boa vontade e (poucos) meios disponíveis.
- O pior foi a chuva, o recinto do festival não estava preparado para isto: um palco ao ar livre e um toldo para bar/restaurante e expositores de artesanato, com toda a gente em pé num espaço muito reduzido.
- A anunciada "ceia popular" antes dos concertos limitou-se ao conteúdo de 1 panela, dava para 1 pedaço de chouriço e 1 pedaço de entrecosto por músico, pouco combustível para fazer um concerto a seguir. Contraste: o patrão hospitaleiro dum café ao lado ofereceu-nos duas garrafas de um bom vinho alentejano e já estávamos um bocadinho melhor.
- Vestir a roupa do espectáculo dentro das nossas carrinhas num lugar de estacionamento sem luz também foi uma experiência (não houve camarins)...
- A entrada em cena dos músicos foi um momento pouco glorioso, fez-se por um escadote estreito, colocado na parte de frente do palco (ou seja: uma subida com os cuzinhos virados para o público....).
Como dito: o que conta nessas circumstâncias é a boa vontade, o espectáculo correu bem, a chuva até parou com a malta a dançar numa fina camada de lama.
Depois do concerto houve tempo para aquilo que os galegos sabem fazer melhor: convívio com bebidas, percussões e gaitas até às seis da manhã, hora para ir tomar um merecido banho na pensão.
Só que não havia água quente.
Não se pode ter tudo na vida...
Próximos concertos da Kumpania Algazarra: dia 5 Alvaiázere - Festival do Chícharo, dia 14 Lisboa - Terreiro do Paço, dia 20 Salzedas - Festival das Aldeias Vinhateiras.

Dia Mundial da Música

Fica aqui um pouquinho de silêncio.
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