22/09/2018
24/09/2016
24/12/2015
15/08/2014
Em Defesa do Projecto Cultural dos Artistas Unidos
ASSINAR É URGENTE
PETIÇÃO
Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa
Professor Doutor António Cruz Serra,
Foi com muita apreensão que soubemos que a Universidade de Lisboa dá por terminado o contrato que permitiu a actividade dos Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, pondo fim a um percurso de três anos em que a companhia transformou um espaço abandonado numa das referências culturais da cidade. Essa revelação é particularmente inesperada por recordarmos que as longas negociações para a cedência deste espaço pela Universidade de Lisboa foram então minuciosamente acompanhadas pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Câmara Municipal de Lisboa, que apostaram no Teatro da Politécnica para este fim específico, acreditando num projecto cujas expectativas nos parecem ter sido até excedidas pela companhia.
Estranhamos que o argumento para a cessação do contrato seja o atraso nos pagamentos do valor de arrendamento – aliás muito elevado comparativamente a casos similares. Para além da desconsideração pelo investimento financeiro que os Artistas Unidos fizeram, muito superior aos valores em atraso e que inclui não só obras de reabilitação mas também diversas obras de reparação, não compreendemos como, desde Junho de 2013, não foi possível chegar a um compromisso quanto ao plano de pagamentos com que os Artistas Unidos pretendem liquidar os valores em falta. Acresce a isto o conhecimento atempado que a Universidade de Lisboa teve do motivo pelo qual surgiram dificuldades: os avultados cortes imprevistos no financiamento por parte da Direcção-Geral das Artes, que é agora cerca de metade do que era aquando da assinatura do contrato, e cujo valor inicial serviu de referência à fixação da renda. Compreenderíamos talvez esta postura se para a Universidade de Lisboa, no difícil quadro económico em que vivemos, os valores em causa fossem elevados – mas claramente não é o caso.
Não deixa de causar perplexidade que o concurso que a Universidade de Lisboa tenciona abrir em breve para a concessão do Teatro da Politécnica, com o qual diz defender o interesse público, tenha como único critério de decisão o valor de renda proposto pelos concorrentes, sem que o projecto ou o historial seja tido em conta, apesar do espaço ser destinado a actividade teatral.
Nós, espectadores, artistas, produtores, programadores ou simplesmente cidadãos que reconhecem na cultura uma dimensão maior da nossa vida em sociedade, sentimo-nos ameaçados por mais uma terrível perda num tempo de destruição da cultura nacional. Nesse sentido, seria importante que Universidade de Lisboa tratasse a companhia como um verdadeiro parceiro, não desistindo tão facilmente de um espaço de cultura e de cidadania, não limitando as actividades, que vão muito para além da produção teatral própria dos Artistas Unidos, e evitando a asfixia de um projecto com múltiplas valências que o tornam indispensável na cultura portuguesa.
Não é demasiado tarde e é esse ponto que sublinhamos e de que partimos para um apelo lógico: que se dê uma oportunidade a um compromisso de onde todos – universidade, companhia e cidadãos – podem sair vencedores; que se faça da renovação do contrato com os Artistas Unidos uma prioridade, para que se mantenha o Teatro da Politécnica como o imprescindível espaço de cultura que se tornou, onde criação, divulgação e formação coexistem, cumprindo uma luta que se espera ser também a de uma instituição universitária. Que não se desfaça por tão pouco o que tão exemplarmente se construiu.
Professor Doutor António Cruz Serra,
Foi com muita apreensão que soubemos que a Universidade de Lisboa dá por terminado o contrato que permitiu a actividade dos Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, pondo fim a um percurso de três anos em que a companhia transformou um espaço abandonado numa das referências culturais da cidade. Essa revelação é particularmente inesperada por recordarmos que as longas negociações para a cedência deste espaço pela Universidade de Lisboa foram então minuciosamente acompanhadas pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Câmara Municipal de Lisboa, que apostaram no Teatro da Politécnica para este fim específico, acreditando num projecto cujas expectativas nos parecem ter sido até excedidas pela companhia.
Estranhamos que o argumento para a cessação do contrato seja o atraso nos pagamentos do valor de arrendamento – aliás muito elevado comparativamente a casos similares. Para além da desconsideração pelo investimento financeiro que os Artistas Unidos fizeram, muito superior aos valores em atraso e que inclui não só obras de reabilitação mas também diversas obras de reparação, não compreendemos como, desde Junho de 2013, não foi possível chegar a um compromisso quanto ao plano de pagamentos com que os Artistas Unidos pretendem liquidar os valores em falta. Acresce a isto o conhecimento atempado que a Universidade de Lisboa teve do motivo pelo qual surgiram dificuldades: os avultados cortes imprevistos no financiamento por parte da Direcção-Geral das Artes, que é agora cerca de metade do que era aquando da assinatura do contrato, e cujo valor inicial serviu de referência à fixação da renda. Compreenderíamos talvez esta postura se para a Universidade de Lisboa, no difícil quadro económico em que vivemos, os valores em causa fossem elevados – mas claramente não é o caso.
Não deixa de causar perplexidade que o concurso que a Universidade de Lisboa tenciona abrir em breve para a concessão do Teatro da Politécnica, com o qual diz defender o interesse público, tenha como único critério de decisão o valor de renda proposto pelos concorrentes, sem que o projecto ou o historial seja tido em conta, apesar do espaço ser destinado a actividade teatral.
Nós, espectadores, artistas, produtores, programadores ou simplesmente cidadãos que reconhecem na cultura uma dimensão maior da nossa vida em sociedade, sentimo-nos ameaçados por mais uma terrível perda num tempo de destruição da cultura nacional. Nesse sentido, seria importante que Universidade de Lisboa tratasse a companhia como um verdadeiro parceiro, não desistindo tão facilmente de um espaço de cultura e de cidadania, não limitando as actividades, que vão muito para além da produção teatral própria dos Artistas Unidos, e evitando a asfixia de um projecto com múltiplas valências que o tornam indispensável na cultura portuguesa.
Não é demasiado tarde e é esse ponto que sublinhamos e de que partimos para um apelo lógico: que se dê uma oportunidade a um compromisso de onde todos – universidade, companhia e cidadãos – podem sair vencedores; que se faça da renovação do contrato com os Artistas Unidos uma prioridade, para que se mantenha o Teatro da Politécnica como o imprescindível espaço de cultura que se tornou, onde criação, divulgação e formação coexistem, cumprindo uma luta que se espera ser também a de uma instituição universitária. Que não se desfaça por tão pouco o que tão exemplarmente se construiu.
05/05/2014
"Vai Maria vai" - versão Ocaso Épico/Lucretia Divina (1993)
Finalmente foi recuperada duma K7, com preciosa ajuda de Rui Carvalheira, uma versão muito livre do tema "Vai Maria vai" (Zeca Afonso) que resultou duma colaboração Ocaso Épico/Lucretia Divina no verão de 1993.
O propósito foi uma candidatura para o projecto "Filhos da madrugada cantam José Afonso", uma homenagem ao cantautor, a celebrar os 20 anos da Revolução dos Cravos em 1994.
A ideia nasceu quando ouvi uma faixa de música tribal berbere, incluída no álbum da banda sonora do filme “The Sheltering Sky” de Bernardo Bertolucci (baseado na novela de Paul Bowles): https://www.youtube.com/watch?v=edmBlRovPDw .
Mostrei o CD a Carlos Cordeiro aka Farinha Master dos “Ocaso Épico”.
A banda estava nessa altura numa fase de “standby”, eu tinha tocado com eles no fim da década de ’80 a convite do Farinha, entrei logo depois do lançamento do álbum “Muito Obrigado” em 1988.
Com inspiração no tema berbere criámos uma base melódica e rítmica bastante complicada: uma melodia em compassos de alternadamente 6 e 7 tempos e em sobreposição uma batida em ritmo binário, significando que a base (melodia + ritmo) se repetia após cada oito compassos: 4 x (6 + 7).
Numa tarde no verão juntámo-nos na garagem do Farinha em Algueirão-Mem Martins: Farinha e os Lucretia Divina (Alagoa, Valor, Donzília e eu) para experimentar. Gravámos várias versões, na minha opinião a mais conseguida foi esta (no soundcloud aqui em baixo).
Ficha técnica: composição Farinha Master/Rini Luyks, programações/sintetizadores/flauta/voz: Farinha Master;
voz: Donzília; acordeão: Rini Luyks.
A nossa versão tribal (muito “para frentex”) de “Vai Maria vai” não foi seleccionada para a compilação Zeca Afonso, mas ficou um trabalho bastante original e serviu em 1999 como banda sonora para a peça de teatro “As Bruxas” de Helena Flôr Dias.
Farinha assistiu comigo à estreia da peça no espaço “Moira” no Chiado e gostou.
http://anacruses.blogspot.pt/2007/02/farinha-master.html
Fica então aqui o registo em homenagem ao Farinha.
https://soundcloud.com/rini-luyks/01-vai-maria-vai-vers-o-1
O propósito foi uma candidatura para o projecto "Filhos da madrugada cantam José Afonso", uma homenagem ao cantautor, a celebrar os 20 anos da Revolução dos Cravos em 1994.
A ideia nasceu quando ouvi uma faixa de música tribal berbere, incluída no álbum da banda sonora do filme “The Sheltering Sky” de Bernardo Bertolucci (baseado na novela de Paul Bowles): https://www.youtube.com/watch?v=edmBlRovPDw .
Mostrei o CD a Carlos Cordeiro aka Farinha Master dos “Ocaso Épico”.
A banda estava nessa altura numa fase de “standby”, eu tinha tocado com eles no fim da década de ’80 a convite do Farinha, entrei logo depois do lançamento do álbum “Muito Obrigado” em 1988.
Com inspiração no tema berbere criámos uma base melódica e rítmica bastante complicada: uma melodia em compassos de alternadamente 6 e 7 tempos e em sobreposição uma batida em ritmo binário, significando que a base (melodia + ritmo) se repetia após cada oito compassos: 4 x (6 + 7).
Numa tarde no verão juntámo-nos na garagem do Farinha em Algueirão-Mem Martins: Farinha e os Lucretia Divina (Alagoa, Valor, Donzília e eu) para experimentar. Gravámos várias versões, na minha opinião a mais conseguida foi esta (no soundcloud aqui em baixo).
Ficha técnica: composição Farinha Master/Rini Luyks, programações/sintetizadores/flauta/voz: Farinha Master;
voz: Donzília; acordeão: Rini Luyks.
A nossa versão tribal (muito “para frentex”) de “Vai Maria vai” não foi seleccionada para a compilação Zeca Afonso, mas ficou um trabalho bastante original e serviu em 1999 como banda sonora para a peça de teatro “As Bruxas” de Helena Flôr Dias.
Farinha assistiu comigo à estreia da peça no espaço “Moira” no Chiado e gostou.
http://anacruses.blogspot.pt/2007/02/farinha-master.html
Fica então aqui o registo em homenagem ao Farinha.
https://soundcloud.com/rini-luyks/01-vai-maria-vai-vers-o-1
29/04/2014
21/12/2013
Rui Rebelo Canta
Um Repertório variado de canções que gosto, gravadas de forma caseira em 2013.
É a minha prenda virtual de Natal.
É a minha prenda virtual de Natal.
19/12/2013
29/11/2013
Teatro Municipal da Guarda: para quando o fim de um caminho falhado?
Hoje no Jornal Público:
Jorge Silva Melo (Artistas Unidos),
Pedro Jordão (ex-director artístico do Teatro Aveirense),
Miguel Seabra (Teatro Meridional),
Sérgio Godinho (músico),
Bruno Bravo (Primeiros Sintomas),
Rui Rebelo (músico),
Jacinto Lucas Pires (escritor),
Nuno Pino Custódio (ESTE),
Diogo Infante (actor),
Isabel Abreu (actriz),
Gonçalo Waddington (actor),
Aldina Duarte (fadista),
Francisco Frazão (Culturgest),
José Neves (actor),
Natália Luiza (Teatro Meridional),
Jorge Andrade (Mala Voadora),
José Luís Ferreira (São Luiz Teatro Municipal),
Tiago Rodrigues (Mundo Perfeito),
João Garcia Miguel (JGM),
António Câmara Manuel (Duplacena),
Olga Roriz (coreógrafa),
André Fernandes Jorge (Livros Cotovia),
João Brites (O Bando)
Há pouco mais de uma semana, Américo Rodrigues, director do Teatro
Municipal da Guarda desde a sua fundação, há oito anos, foi sumariamente
afastado dessas funções pela câmara municipal de que é funcionário.
Não houve uma conversa
antes da demissão abrupta, não houve um agradecimento por um trabalho
ímpar, sustentado, sério. Como fraco pretexto, uma conferência de
imprensa que marcou para prestar esclarecimentos que, como dirigente
público, eram um direito mas, principalmente, um dever. Esclarecimentos
necessários porque o novo presidente da Câmara Municipal da Guarda
entendeu ser útil emitir dados errados e lançar insinuações graves sobre
a instituição que agora tutela e sobre aquele que até agora a dirigia.
Este
caso do Teatro Municipal da Guarda é duplamente exemplar: num primeiro
tempo, pelo trabalho desenvolvido pela sua direcção; agora, pelo
trabalho destruído.
Sobre a facilidade com que um capricho pessoal
se sobrepõe ao interesse público, não houve do Governo qualquer reacção
– já a acção parece definitivamente arredada do horizonte de quem se
dispõe governar a cultura. Nesta falha, os governos sucedem-se.
Nos
últimos quinze anos, foram inauguradas dezenas de teatros e centros
culturais públicos, sob o desígnio de dotar o país de infra-estruturas
que pudessem descentralizar a cultura e agir como suporte do tecido
artístico nacional. Ainda não resultou, não deixaram que resultasse.
Hoje
temos um conjunto de edifícios parcialmente esvaziados a que
maioritariamente não corresponde um projecto, uma programação (que muito
se confunde com uma agenda), uma equipa ou uma direcção artística – com
a necessária autonomia do poder político. Há um sistema que precisa de
ser mudado, há um conjunto de boas práticas há muito definido a que tem
de ser dada a força da lei. As estruturas públicas de cultura não podem
continuar reféns da total arbitrariedade dos poderes locais nem
abandonadas pelos governos que estimularam a sua criação em nome de uma
política nacional.
Empobreceram-nos para que nos entretivéssemos a
sobreviver ao dia seguinte, e apenas a esse, porque o futuro foi
decretado como uma extravagante hipótese. E, no entanto, não são raros
os momentos neste país que nos mostram que a asfixia da cultura não é
apenas financeira, é sobretudo ética. Não parece haver princípio, regra
ou palavra que o presente garanta. A arbitrariedade impera.
Os
governos têm de assumir a sua responsabilidade, apoiando os teatros
municipais, mas exigindo em contrapartida que a acção de cada um desses
espaços passe por uma direcção e um projecto artístico escolhidos por
concurso e com uma autonomia claramente delimitada. A legítima
supervisão por parte do poder político não pode continuar a ser
substituída por interferências abusivas na programação, por nomeações ou
destituições sem justificação ou pelo estado de abandono a que estão na
prática submetidos muitos destes equipamentos.
Quem proclama a
necessidade de uma infra-estrutura cultural para o país tem que exigir
que a esta corresponda uma ideia de cultura e não uma rede de garagens
de espectáculos de acção inconsequente.
Nada há nesta exigência de
impraticável, nem se perfila qualquer atentado à autonomia do poder
local. Há apenas uma ideia de simples execução e de urgência
indisfarçável, a bem das populações e respeitando todos os que trabalham
diariamente pela criação e difusão culturais.
O discurso de
austeridade cega que hoje corrói a sociedade apoia-se na crise mas não
em dados que justifiquem esta resistência em definir uma política que vá
além de uma envergonhada, ineficaz e insuficiente distribuição de
fundos.
Visão não é construir uma rede de edifícios. Visão é
assegurar, por uma fracção do investimento, que em cada um se cumpre uma
missão legítima e consequente.
Perdeu-se demasiado tempo.
Perderam-se demasiadas oportunidades, projectos, talentos, públicos.
Muito do que se perdeu não será recuperado, mas exigimos um fim para
este caminho falhado.
Jorge Silva Melo (Artistas Unidos),
Pedro Jordão (ex-director artístico do Teatro Aveirense),
Miguel Seabra (Teatro Meridional),
Sérgio Godinho (músico),
Bruno Bravo (Primeiros Sintomas),
Rui Rebelo (músico),
Jacinto Lucas Pires (escritor),
Nuno Pino Custódio (ESTE),
Diogo Infante (actor),
Isabel Abreu (actriz),
Gonçalo Waddington (actor),
Aldina Duarte (fadista),
Francisco Frazão (Culturgest),
José Neves (actor),
Natália Luiza (Teatro Meridional),
Jorge Andrade (Mala Voadora),
José Luís Ferreira (São Luiz Teatro Municipal),
Tiago Rodrigues (Mundo Perfeito),
João Garcia Miguel (JGM),
António Câmara Manuel (Duplacena),
Olga Roriz (coreógrafa),
André Fernandes Jorge (Livros Cotovia),
João Brites (O Bando)
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