13/12/2008

Aquele Abraço.....de 200.000 euros!


Com as devidas desculpas a Gilberto Gil.... autor da canção "Aquele Abraço" (http://www.youtube.com/watch?v=TjFPfvSKq0A ) num contexto bem mais nobre.
Então como é que é!?
"Manoel de Oliveira recusa receber as Chaves da Cidade do Porto. O realizador encara a atribuição da condecoração, decidida na semana passada pela Câmara do Porto, com um "aproveitamento da ocasião" e diz que não procura benesses" (Jornal de Notícias, 8 de Dezembro 2008).
"O realizador Manoel de Oliveira, que hoje festeja 100 anos, convidou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, para almoçar no local onde decorre a rodagem do seu novo filme "Singularidades de uma rapariga loura". A autarquia de Lisboa apoiou financeiramente o filme com 200.000 euros" (Diário Digital, 11 de Dezembro 2008).
Foto ao lado no diário "Metro" (com publicidade a condizer), tirada por um paparazzo mais bem sucedido do que eu (ver post Anacruses, dia 11 de Dezembro 2008).

12/12/2008

Rosa - Pixinguinha/Otávio de Sousa

Saiu um bocado mal e tinha pensado não publicar mas a Susana Serrano fez um elogio ao video e decidi fazer um post Anacrusico. 

Acompanhado com o tiple que trouxe da Colombia. 
"un tiplista passa la mitad de la vida afinando el instrumento y la otra mitad tocando con el desafinado"

Adoro esta música. Para mim, a mais bela do Pixinguinha.




Tu és, divina e graciosa estátua majestosa
do amor, por Deus esculturada
e formada com o ardor,
da alma da mais linda flor, de mais ativo olor
e que na vida é a preferida pelo beija-flor.

Se Deus lhe fora tão clemente aqui neste ambiente de luz
formada numa tela deslumbrante e bela,
teu coração, junto ao meu lanceado
pregado e crucificado sobre a rosa cruz do arfante peito teu

Tu és a forma ideal, estátua magistral
oh alma perenal, do meu primeiro amor, sublime amor.

Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação em todo o coração
sepultas o amor
o riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
em vozes tão dolentes como um sonho em flor

És láctea estrela, és mãe da realeza
és tudo enfim que tem de belo,
em todo o resplendor da santa natureza

Perdão se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor! Meu peito não resiste,
Oh, meu Deus o quanto é triste,
a incerteza de um amor que mais me faz penar
de esperar em conduzir-te um dia aos pés do altar

Jurar, aos pés do onipotente
em versos comoventes de luz,
e receber a unção da tua gratidão,
depois de remir, teus desejos
em nuvens de beijos hei de te envolver
até o meu padecer, de todo fenecer

11/12/2008

O centenário de Manoel de Oliveira e a prenda da C.M. de Lisboa

Transcrevo a notícia (http://diariodigital.sapo.pt/ ):
"O realizador Manoel de Oliveira, que hoje festeja 100 anos, convidou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, para almoçar no local onde decorre a rodagem do seu novo filme "Singularidades de uma rapariga loura". A autarquia de Lisboa apoiou financeiramente o filme baseado no conto homónimo de Eça de Queirós com 200.000 euros. No almoço, além do autarca, estarão o embaixador de França em Portugal e a direcção do Instituto de Cinema e do Audiovisual, num total de 70 convidados, incluindo a equipa técnica."
Numa curta reportagem no Jornal da Tarde da RTP reconheci imediatamente o sítio das filmagens: Jardim do Palácio Beau Séjour, Quinta Nova da Conceição (http://www.quintanovaconceicao.com/ ), a poucas centenas de metros da minha casa...
Com a curiosidade dum autêntico paparazzo decidi ir espreitar, vestido a rigor: casaco e gorro de lã, tipo arrumador (estava frio). O porteiro do jardim deixou-me entrar, ele conhece-me, vou passear regularmente neste espaço verde. Contornei o edifício e sim senhor, através de duas grandes janelas vi mesas com velas acesas e vultos sentados (irreconhecíveis). Ainda ponderei entrar no restaurante, mas o meu visual não estava a condizer com o ambiente. Como alternativa decidi fazer umas passeatas tipo vai e vem à frente das janelas, com um sorriso em direcção às mesas, pois não quero mal a ninguém. Foi esse o meu contributo à festa....
Brincadeiras à parte, agora o porquê deste post. Das obras do cineasta Manoel de Oliveira que vi na cinemateca adorei "Douro, faina fluvial" (1931) e "Aniki-bobó" (1942, vídeo aqui acima), disseram-me que tenho que ver também "A caça" (1963). No cinema comercial vi até agora (só) "Non, ou a vã glória de mandar" (1990) e não gostei nada, de facto não fui ver mais nenhum dos filmes de Manoel de Oliveira, estreados após 1990 e são muitos, uns vinte! O homem faz um filme todos os anos, com certeza estará nisso o segredo da sua longevidade....
Agora: um apoio de 200.000 euros da Câmara de Lisboa (na situação financeira em que está) para mais um filme dele acho uma vergonha....(nomeadamente depois de "Cristóvão Colombo - O Enigma", considerado por muitos um dos piores filmes europeus dos últimos tempos).

09/12/2008

Dois Anos de ANACRUSES


Para comemorar o segundo aniversário do Anacruses, deixo aqui a partitura e letra do "Hino à Alegria". Não com o poema original de Schiller mas com a versão da nona do Beethoven. Bem tocado e cantado, este tema é sempre arrepiante e faz-nos olhar para o mundo de forma mais fraterna.

Parabéns Anacruses.




Baixo
O Freunde, nicht diese Töne!
Sondern laßt uns angenehmere
anstimmen und freudenvollere.
Freude! Freude!
Baixo. Quarteto e coro
Freude, schöner Götterfunken
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder,
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Wem der große Wurf gelungen,
Eines Freundes Freund zu sein;
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seinen Jubel ein!
Ja, wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer's nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund!
Freude trinken alle Wesen
An den Brüsten der Natur;
Alle Guten, alle Bösen
Folgen ihrer Rosenspur.
Küsse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprüft im Tod;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Und der Cherub steht vor Gott.
Tenor e coro
Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch des Himmels prächt'gen Plan,
Laufet, Brüder, eure Bahn,
Freudig, wie ein Held zum Siegen.
Coro
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuß der ganzen Welt!
Brüder, über'm Sternenzelt
Muß ein lieber Vater wohnen.
Ihr stürzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schöpfer, Welt?
Such' ihn über'm Sternenzelt!
Über Sternen muß er wohnen.

versão em português aqui

08/12/2008

Cockney Rebel & Pinkpop Festival


Esta banda de glamour-rock inglesa teve grande êxito na Holanda e Bélgica no início dos anos '70, o single "Sebastian" do álbum de estreia "The Human Menagerie" (1973, capa na foto) permaneceu nos tops durante meses, um fenómeno muito raro na altura para um tema com duração de 7 minutos em versão orquestral, (http://www.youtube.com/watch?v=eI-hVuQRFOo), uma valsa lenta (invulgar na música pop) com teclas e violino, uma voz muito particular.
O segundo álbum "The Psychomodo" (1974) teve menos impacto, mas o tema "Ritz" é para mim um dos melhores da banda (http://www.youtube.com/watch?v=BOvE9Cecz8c), aqui é especial a combinação de guitarra de doze cordas, violino e voz.
Só em 1975 (com outros músicos na banda) Steve Harley teve êxito na Inglaterra com o álbum "The Best Years of Our Lives" (tema "Make me smile", post 5 de Dezembro).
Em 1974 Cockney Rebel actuou no Pinkpop Festival, o festival anual mais antigo do mundo, desde 1970 é celebrado sem interrupção todos os anos no Sul da Holanda (em 2009 a 40ª edição!), um pequeno vídeo de "Sebastian" em http://www.youtube.com/watch?v=_OIFk2dQcno .
Mais de 500 bandas já tocaram nesse festival para perto de 2 milhões de visitantes.
O nome Pinkpop: o festival acontece no fim de semana de Pentecostes ("Pinksteren" em holandês), o logo é uma boneca ("pop" em holandês) num vestido cor-de-rosa ("pink").
Em 1981 vi lá numa tarde Ian Dury and The Blockheads e as bandas "promessas" UB 40 e U2....
Uma lista das bandas que já actuaram no Pinkpop em http://en.wikipedia.org/wiki/Pinkpop_Festival

05/12/2008

Spot "Agora Eu Era"

"Agora Eu Era" - Em cena aos fins de semana às 16h, apenas até 21 de Dezembro no Chapitô


Filme gravado e montado por Filipe Saraiva.


Prolongamento da temporada do espectáculo "Agora Eu Era" da Companhia do Chapitô





Agora Eu Era - pela Companhia do Chapitô


Devido à grande adesão do público, decidimos prolongar a temporada do espectáculo "Agora Eu Era" até 21 de Dezembro, no Chapitô.
Em Janeiro começará a digressão nacional e estamos a preparar a itinerância internacional, facilitada pelo facto do espectáculo não ter texto e assim não sofrer com as barreiras da língua. 


Agora, eu era qualquer coisa que eu quisesse ser, e ia onde quisesse estar, e faria tudo aquilo que quero fazer. Agora tudo é possível. E as coisas são o que fazemos delas, e nós somos tudo, e também podemos ser nada... 



Quando somos crianças temos a capacidade de construir o mundo que queremos. A dada altura perdemos essa capacidade. E não poderemos resgatá-la? Na minha opinião é na imaginação e na criatividade que reside a capacidade de sonhar e construir o mundo que queremos. Cabe-nos a nós decidir e invetar que vida queremos viver, da mesma forma como em crianças decidiamos, inventávamos e viviamos as brincadeiras.


CRIAÇÃO COLECTIVA 

Encenação: Rui Rebelo

Com: Leonor Cabral, Patrícia Adão Marques e João Madeira




+ info 218855550  e  http://companhia.chapito.org 

Steve Harley & Cockney Rebel - "Make me smile" (1975)

Outra banda de "rock desperado", aparentemente menos conhecida em Portugal do que os "Roxy Music". Eu era e sou um fã incondicional de Steve Harley.

"Make me smile" foi um dos hits da música anglo-saxónica da época '70, letra em http://www.lyricstime.com/steve-harley-make-me-smile-lyrics.html .

Nº 77777 na véspera de "Sinterklaas"


O dia mais feliz para as crianças holandesas: na noite de 5 de Dezembro Sinterklaas (São Nicolau) e Zwartepiet (Pedro Negro) distribuem prendas há muito aguardadas.
As crianças nos outros países ainda têm de esperar até Natal...
A prenda para "Anacruses" é o visitante nº 77777 (número felicíssimo) neste 5 de Dezembro às 1.25 h, poucos dias antes do segundo aniversário do blogue.

04/12/2008

IMACULADOS de Dea Loher, no Teatro Aberto

Fadoul e Elísio, dois emigrantes clandestinos, culpam-se de nada terem feito para impedir uma mulher de se afogar.
Rosa gostaria de receber mais atenção de Francisco, o marido. A mãe de Rosa está doente e instala-se em casa da filha.
Absoluta, uma jovem cega, dança num bar junto ao porto para homens que ela não vê e que a desejam.
Uma mulher só dispõe-se a tudo para existir aos olhos dos outros.
Ella, uma filósofa que não aceita o envelhecimento, deixou de acreditar nas ciências do espírito e fala sozinha.
Em Imaculados, peça escrita e estreada em 2003, a autora alemã Dea Loher cruza destinos que as contingências da vida separou, criando uma dança de roda marcada pelo humor do desespero e a energia de viver.

Considerada uma das vozes mais inventivas e poéticas da nova dramaturgia europeia, como comprovam os muitos prémios que têm distinguido a sua obra, Dea Loher escolhe para as suas peças histórias e figuras do quotidiano e confere-lhes uma dimensão filosófica e universal ao apresentá-las na procura de respostas para grandes questões como o sentido da vida, as possibilidades de transformação da sociedade, a realização dos sonhos individuais.
Em Imaculados, cruza histórias e personagens para tematizar a relação com o outro, com o estrangeiro, a responsabilidade e a culpa, a solidão, o amor, o confronto com a morte, a pertinência das utopias, a busca de felicidade, e demonstrar que, num mundo aparentemente regido pelo acaso, os seres humanos, afinal, acabam por estar todos misteriosamente ligados.
Unschuld, na versão portuguesa "Imaculados". Trata-se de uma peça que entrelaça com poesia e humor diversas histórias do nosso quotidiano, histórias que podem parecer insólitas mas que revelam a nossa procura desajeitada de sermos melhores num mundo em que a morte deixou de ter valor ou, por vezes, parece ser a única saída.




IMACULADOS

de Dea Loher
Versão: João Lourenço e Vera Sampayo de Lemos
Dramaturgia: Vera Sampayo de Lemos
Encenação: João Lourenço
Música: Rui Rebelo
Cenário: António Casimiro e João Lourenço
Figurinos: Maria Gonzaga
Coreografia: Carlos Prado
Acordeonista: Rini Luyks

Com: Amílcar Azenha, Ana Brandão, Ana Nave, Ana Rita Trindade, Carlos Pisco, Carmen Santos, Cátia Ribeiro, Francisco Pestana, Inês Rosado, Irene Cruz, Luís Barros, Pedro Ramos, Quimbé e Rini Luyks.

No Teatro Aberto de Quarta a Sábado às 21:30 e Domingos às 16h

03/12/2008

Roxy Music - "In every dream home a heartache" (1973)



Breaking news
: "A revista masculina australiana "Ralph" alertou as autoridades do pais por causa do desaparecimento de 130.000 pares de seios insufláveis, cada um no valor de 0,78 euro (1 dólar). Tudo terá acontecido quando eram transportados da China para a Austrália. A viagem começou há duas semanas, mas o contentor, quando chegou ao porto de Sydney, estava vazio! A revista pretendia oferecer um par de seios insufláveis com cada exemplar da sua edição de Dezembro." (Noticia em http://www.7fm.eu/?p=6409 ).
Como consolação para os milhares de australianos solitários que ficaram assim com um Natal estragado aqui acima um vídeo de "In every dream home a heartache" de Roxy Music (álbum "For your pleasure" de 1973) , uma declaração de amor de Bryan Ferry a uma boneca insuflável.
Letra em: http://www.roxyrama.com/classic/lyrics/roxy_music/in_every_dream_home_a_heartache.shtml
Mais tarde no mesmo ano 1973 Ferry ia repetir a dose em "Mother of Pearl", considerado um dos melhores temas da banda (ver post "Anacruses" de 26 de Julho 2008).

30/11/2008

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