18/10/2008

Procura-se um amigo

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

(Vinicius de Moraes)

13/10/2008

"Agora Eu Era" pela Companhia do Chapitô

"Agora Eu Era" é a mais recente criação da Companhia do Chapitô, destinada a um público mais jovem. Estará em cena no Chapitô até 7 de Dezembro, Sábados e Domingos às 16h.

Elenco: João Madeira, Leonor Cabral, Patrícia Adão Marques.
Encenação: Rui Rebelo
Direcção de actores: José Carlos Garcia
Assistência de Encenação: Joana Paes e Patrícia Maio
Figurinos: Mafalda Estácio
Desenho de Luz: Carlos Gonçalves







Fotos de Filipe Saraiva.

02/10/2008

Fotos de Ensaio

Aqui ficam algumas fotos do primeiro ensaio com público do espectáculo "Agora Eu Era".




Elenco: João Madeira, Leonor Cabral e Patrícia Adão Marques.
Fotos: Filipe Saraiva

01/10/2008

Dia Internacional da Música

Seguindo o exemplo do blogue "Suco, Suquinho, Sucodinho" aqui uma homenagem ao Yehudi Menuhin.

Há 33 anos o Dia Internacional da Música foi instituido por iniciativa dele.

Neste filme de 1947 Menuhin toca "Caprice 24" de Paganini, acompanhado pelo pianista Adolph Baller.

28/09/2008

Está quase...


"Agora Eu Era" estreia 4 de Outubro no Chapitô.

Apareçam por lá até 7 de Dezembro e levem crianças.

27/09/2008

Fórum Social Europeu - Malmö







Nesta semana o Outono começou quente em Malmö (Suécia) com a realização do 5º Fórum Social Europeu. Os Movimentos Sociais anunciaram uma campanha contra as políticas europeias sociais e de trabalho e apelaram à realização de manifestações simultâneas na Europa, por ocasião do 60º aniversário da NATO, no dia 4 de Abril 2009.
Como sempre os média dedicaram mais atenção aos acontecimentos na rua, aqui com destaque para uma manifestação contra uma fábrica de armas em Malmö a produzir material para os americanos no Iraque.


25/09/2008

Michael Moore - "Slacker Uprising"


Desde 0.00 h de hoje o novo filme de Michael Moore "Slacker Uprising" ("Insurreição dos Indolentes") está disponível gratuitamente online, infelizmente para já só nos Estados Unidos e em Canadá;
É um apoio de Moore à campanha eleitoral de Barack Obama.
Este post é dedicado ao músico luso-americano Gonçalo Lopes.

24/09/2008

Companhia do Chapitô II

A segunda parte do vídeo montado pelo meu caro amigo e colega Jorge Cruz e pelo meu sobrinho adoptivo Filipe Saraiva.

23/09/2008

Não à depressão! Vamos a votos: qual será a "Imagem 69696"!?





Aguardam-se votos (e mais imagens/sugestões dos caros colegas-sócios do blogue) até a passagem do Visitante nº 69696, já dentro de poucos dias!

Primeira depressão outonal

Mesmo sabendo do que são capazes os serviços informativos da TVI: hoje de manhã fiquei surpreendido com a quantidade de desgraça que aquele locutor com voz esganiçada conseguiu transmitir em pouco mais de um minuto:
- assalto a uma bomba de gasolina em Carnaxide: não conseguindo levar o multibanco, os assaltantes deixaram-no à porta e "contentaram-se" com o roubo de um carro de alta cilindrada que estava a ser abastecido;
- o crédito mal parado subiu 24% desde o ano passado;
- o consumo de anti-depressivos subiu 20% no mesmo período, sobretudo na área de Lisboa e Vale do Tejo;
- numa operação de prevenção do crime o GNR deteve 4 pessoas: três armas de fogo ilegais e um caso de tráfego de droga em 300 carros fiscalizados;
- a multinacional Yazaki Saltano despediu 312 trabalhadores em Ovar.
"A seguir, caros telespectadores, o "rescaldo" das inundações e enxurradas no Porto e em Albufeira, mas primeiro temos ligação com o helicóptero TVI, como está o trânsito!?"

22/09/2008

Reposição dos painéis de azulejos de Maria Keil pelo Metropolitano




"

.....Recentemente o Metropolitano de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc. várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas (
eu já sabia, pelo nome da estação "Picoas" - sem tracinho, para desfarçar, R.L.) sem se darem ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos.
A parte "realmente boa" desta história é que, ao contrário de todos os arquitectos, engenheiros. escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruida sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.
Pergunta-se "porquê?". Porque no Metropolitano de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma....exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!
Este crime silencioso não pode continuar impune. Pior do que o crime em si será o (nosso) silêncio à sua volta.
Como tal os abaixo assinados exortam o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, diligenciar obter os desenhos dos painéis destruidos e mandar executar, à empresa que produziu (Viúva Lamego) novos painéis...."
(Fragmento da petição http://petitiononline.com/MK2008PT/ , lançada no blogue "A Face Oculta da Terra").
Na mesma noite às duas da madrugada enviei um e-mail para as Relações Públicas do Metro:
"Exmos. Senhores,
Acabo de ler o post de 18 de Setembro do blogue http://faceocultaterra.blogspot.com/ , um texto no qual os juristas (e por isso também o Conselho de Gerência) do Metropolitano não ficam muito bem "na fotografia".
Queria perguntar:
1) qual é a reacção do Metropolitano a esta notícia?
2) se a notícia for verdadeira, o que pensa o Metropolitano fazer para remediar esta situação escandalosa?"
Antes do meio dia(!) chegou a resposta:
"Exmo. Senhor,
Acusamos a recepção do seu e-mail, o qual, face às preocupações manifestadas, mereceu a nossa melhor atenção.
O Metropolitano de Lisboa tem pautado a sua actuação ao nível das intervenções plásticas nas suas estações por uma rigorosa defesa da qualidade artística das mesmas e por um profundo respeito pelos artistas que nelas intervieram. A esse respeito, o facto de ser elogiado a nível mundial, por essa mesma qualidade e cuidado na ligação de um espaço público de transporte de passageiros à intervenção plástica em espaços públicos, é uma confirmação do respeito que os artistas plásticos nos merecem.
A prática que tem sido seguida pela empresa é a de garantir o respeito pela originalidade do trabalho plástico e do património, apesar das intervenções levadas a cabo que têm como objectivo a melhoria das infra-estruturas.
Os painéis de azulejos que, fruto da reestruturação das estações mais antigas - por necessidade de segurança e, mesmo, higiene - e do actual alargamento da rede de metropolitano, conflituam com as obras em curso são retirados, ou na eventualidade de destruição indesejada, são repostos garantindo, o mais possível, a configuração original. É o caso da intervenção na estação de S. Sebastião, em que, os painéis destruidos pela intervenção de alargamento e de duplicação da mesma serão repostos, mantendo a originalidade, graças ao acordo entre o Metropolitano e a artista Maria Keil.
A excepção mais relevante a estes procedimentos ocorreu, de facto, na estação Restauradores, em que parte dos azulejos originais não foram repostos (mas sim destruidos, R.L.), no âmbito do alargamento da rede de Metro à Baixa-Chiado.
Com os melhores cumprimentos,
Sara Plácido, relações públicas.
Pronto, sabemos agora quais são os estragos, mas o Metro ainda não assumiu nenhuma culpa por incúria.
Por isso, caros leitores: toda a razão para assinar a petição acima mencionada!

21/09/2008

Now I want to be a moviestar!




Agora Eu Era...(próximo espectáculo da Companhia do Chapitô)... uma estrela de cinema!
Há dois anos inscrevi-me numa agência de actores e modelos por instigação de uma antiga colaboradora do Chapitô, nunca me senti particularmente atraído por esse mundo. Prova disso: nestes dois anos só fiz cinco castings, mas já fui escolhido em três, na próxima quarta feira vou fazer um marinheiro num filme romeno(!).
No vídeo acima a minha estreia: apareço pouco mais de um segundo num anúncio publicitário da cerveja "Superbock Tango".
Pormenores:
- 18 horas de gravação (das 10 de manhã até às 4 de madrugada) na Caixa Económica, Rua Voz do Operário;
- recebemos a pauta do tango na véspera, mas conseguimos interiorizar a melodia que foi tocada umas 50 vezes ao vivo...;
- grande prazer de trabalhar um dia com o pianista "hombre tanguero" Daniel Schvetz (http://www.myspace.com/danielschvetz );
- a bailarina/acrobata veio especialmente de Buenos Aires e voltou no dia seguinte, cheia de nódoas negras.