11/05/2011
"Dance of the Knights" - Serguei Prokofiev (1935)
Serguei Prokofiev: "Pedro e o Lobo", bandas sonoras dos filmes "Alexander Nevsky" e "Ivan o Terrível" e muito mais obras primas, mas uma das minhas melodias preferidas dele é esta do bailado "Romeu e Julieta".
10/05/2011
"O candidato José Sócrates vive na estratosfera"...

... voltou a afirmar Paulo Portas, ontem no debate entre os dois maus palhaços na TVI.
Ele próprio, como se sabe, gosta mais de deslocar-se em ambientes subaquáticos, de preferência num submarino alemão, adquirido em segunda mão, mas mesmo assim muito bem pago.
Que depois vem com defeitos e com as contrapartidas para a economia portuguesa muito mal negociadas, mas não faz mal...é preciso agradar aos alemães, povo amigo desde o negócio febril de volfrâmio há uns 70 anos (vi um brilhante filme sobre este negócio na maratona de documentários na RTP 2 no passado dia 25 de Abril, além dos alemães e portugueses, também os suiços ficaram bastante mal na fotografia...).
Sócrates na estratosfera e Portas num submarino defeituoso parece-me uma boa solução para Portugal.
E Passos Coelho, "der Dritte im Bunde", pode fazer companhia a qualquer um dos dois, tanto faz.
09/05/2011
aTensãoJAZZ
Uma série documental sobre o jazz em Portugal em 10 episódios, sempre no domingo à meia noite na RTP 2, estreou na semana passada.
Hoje gostei muito do segundo episódio, além da música houve entrevistas sobre a realidade da vida do músico profissional em Portugal.
Recomendado!
08/05/2011
Gag (nhac)

Aquellos ojos verdes, de mirada serena,
dejaron en mi alma, eterna sed de amar.
Anhelos de caricias, de besos y ternuras.
De todas las dulzuras, que sabían brindar.
Aquellos ojos verdes, serenos como un lago,
en cuyas quietas aguas, un día me miré.
No saben las tristezas, que en mi alma han dejado
Aquellos ojos verdes, que yo nunca besaré.
07/05/2011
"It's Now or Never" - Elvis Presley (1960)
Novo top-hit nos discursos dos políticos portugueses depois do "Acordo" com a Troika.
O último a tocar o disco "É agora ou nunca" foi Cavaco Silva ontem à noite:
http://tv2.rtp.pt/noticias/?t=Cavaco-Silva-fala-ao-pais-sobre-a-ajuda-financeira.rtp&headline=20&visual=9&article=439673&tm=6
Tal como outros DJs desta música (Paulo Portas, Sócrates, Durão Barroso, etc.) ele teve como governante graves responsabilidades na criação do actual Estado das Coisas.
Os amantes do FMI cantam:
"It's now or never,
come hold me tight
Kiss me my darling,
be mine tonight
Tomorrow will be too late,
it's now or never
My love won't wait."
Felizmente ainda há cidadãos mais esclarecidos:
05/05/2011
Grande Braga!
szólj hozzá: Sp. Braga 1-0 Benfica
Sou benfiquista (embora cada vez menos ferrenho...), mas nada a dizer: o David venceu o Golias com todo o mérito.
Parabéns SC Braga e Domingos!
E ai Jesus!
04/05/2011
"O Palestiniano" - António Salas

Já antes ouvi falar deste jornalista "António Salas" (pseudónimo).
Depois dos atentados de 11 de Março 2004 em Madrid ele infiltrou-se nas redes do terrorismo internacional para compreender... e para publicar este livro seis anos depois! Hoje é livro do dia da editora Planeta Manuscrito na Feira do Livro de Lisboa.
O site do autor: http://www.antoniosalas.org/.
Conferência de imprensa na apresentação do livro: http://www.antoniosalas.org/sites/all/themes/internal/antoniosalas/pdf/press_conference_the_palestinian.pdf
03/05/2011
Hospital em ruptura (com p)

Na mesma semana duas notícias alarmantes vindas do Hospital dos Capuchos em Lisboa.
http://ww1.rtp.pt/noticias/?t=A-farmacia-do-hospital-dos-Capuchos-exigiu-pagamento-a-doentes.rtp&headline=20&visual=9&article=436519&tm=2
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Caos-no-Hospital-dos-Capuchos-para-marcar-consulta-de-Oftalmologia.rtp&headline=20&visual=9&article=438199&tm=8
"À escuridão" do novo acordo ortográfico e do Estado das Coisas (com maiúsculas) em geral prefiro continuar a escrever "ruptura" com p, tal como em outras palavras características para esse Estado das Coisas como "corrupção", "interrrupção", etc.
Convocatória
"Nós, os desempregados, os mal remunerados, os subcontratados, os precários, ... queremos uma mudança e um futuro digno. Estamos fartos de reformas anti-sociais que nos deixam desempregados, fartos que os bancos que provocaram a crise nos subam as hipotecas ou fiquem com as nossas casas, fartos que nos imponham leis que limitam a nossa liberdade em benefício dos poderosos. Culpamos os poderes políticos e económicos pela nossa situação precária e exigimos uma mudança de rumo.Convocamos todos a sair à rua no dia 15 de Maio pela 16h, sob o lema "Democracia Verdadeira, Já! Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros". Apelamos que no dia 15 te manifestes de forma pacífica e sem símbolos políticos.
A RUA É NOSSA!"
- http://15maio.blogspot.com/
- http://www.facebook.com/Democracia.Verdadeira.Ja
01/05/2011
Um poema
Desde Janeiro 2011 existe em Lisboa (Rua da Imprensa Nacional 116b, cave do restaurante BS) um novo espaço "Bartleby" que segundo um primeiro comunicado dos seus anfitriões "mais não pretende do que juntar, numa cave lisboeta, alguns dos sons, imagens, poemas e sabores etílicos que melhor nos ajudam a atravessar o deserto.
O horário de funcionamento será das 22h às 2h, todas as quintas, sextas, sábados e vésperas de feriado.
SEJA RESPONSÁVEL. EMBEBEDE-SE CONNOSCO."
As actividades culturais podem ser acompanhadas em blogue e Facebook:
- http://bartleby-bar.blogspot.com/
- http://www.facebook.com/pages/Bartleby-Bar/142641772455672
No sábado 26 Fevereiro tive o prazer de tocar no "Bartleby" pela primeira vez, um repertório de temas de bandas sonoras e música para teatro.
Ontem voltei lá a convite do poeta Diogo Vaz Pinto para acompanhar o lançamento do seu livro "Nervo" (Editora Averno, http://www.editora-averno.blogspot.com/), convite irrecusável depois da publicação do seguinte poema no Facebook no dia 6 de Março:
Um poema
Nas costas do postal que tinha e onde cai
desde há muito, não sei em que cidade,
uma tarde de chuva insuperável,
larguei apressado contorno à chama
desse homem que fez a noite ajoelhar-se.
Cambado corpo, sonoro, num colete
sem botões para cores de mau vinho.
Aquele ombro descaído, debicado
por generosos pássaros,
sustinham juntos o ofego do acordeão,
decente e triste, de uma presteza viajada.
Sua infecção calma abrindo-nos
poços de ar no sangue, lento e impuro,
mendigando mais a leste um novo embalo.
Os ossos vibrando, frágeis, ocos,
como flautas para o sopro de um deus.
E os três euros, um insulto não sei
se a nós mesmos, se a este mundo
que se faz caro
para o vazio nos parecer chique.
Espirais de fumo, um frasco de tinta
tombado e a mancha cega que aos poucos
levará a memória disto, este encontro
de amigos, este bar.
Voltarei a ter encostada à minha
a carne áspera da solidão, voltarei
a esse sim-não-sim-não-sim: perdido
para segundas escolhas,
reflexos abolidos entre estranhas
gravidades, entretido com rudes
brincadeiras e esses sonhos nocturnos
precisos e práticos neste estupor
de corpos que vão ficando de sobra
uns para os outros. Poesia nenhuma,
matemática, simples e atroz.
Faço o caminho de volta, demoro
esses cansados fins de ruas e a linha
de candeeiros, sua líquida luz misturada
de urina, onde perdem a pele as imagens
e oferecem a sua carne aflita ao delírio
que me leva pela mão.
Atravessando jardins suspensos
no assombro monocórdico das flores,
perfume frio e gesto prolongado,
essa vénia num jeito doce e final.
No quarto, enquanto o silêncio rói,
escava os seus buracos, bato uns versos,
extraindo à máquina de escrever
essa grave caligrafia,
como um piano rematando outra
das suas canções de abandono e morte.
Estou só cigarro nos lábios e espero.
Olho as mãos, a marca de um anel
que nunca pus no dedo e que me intriga,
dói-me a sua mordedura e veneno.
Sentada na cama, lá esta ela
de chinelos, balouçando os pés frios,
com o seu ar trágico e indeciso.
Diogo Vaz Pinto
http://www.facebook.com/pages/Bartleby-Bar/142641772455672#!/notes/bartleby-bar/um-poema/158670734186109
Nas costas do postal que tinha e onde cai
desde há muito, não sei em que cidade,
uma tarde de chuva insuperável,
larguei apressado contorno à chama
desse homem que fez a noite ajoelhar-se.
Cambado corpo, sonoro, num colete
sem botões para cores de mau vinho.
Aquele ombro descaído, debicado
por generosos pássaros,
sustinham juntos o ofego do acordeão,
decente e triste, de uma presteza viajada.
Sua infecção calma abrindo-nos
poços de ar no sangue, lento e impuro,
mendigando mais a leste um novo embalo.
Os ossos vibrando, frágeis, ocos,
como flautas para o sopro de um deus.
E os três euros, um insulto não sei
se a nós mesmos, se a este mundo
que se faz caro
para o vazio nos parecer chique.
Espirais de fumo, um frasco de tinta
tombado e a mancha cega que aos poucos
levará a memória disto, este encontro
de amigos, este bar.
Voltarei a ter encostada à minha
a carne áspera da solidão, voltarei
a esse sim-não-sim-não-sim: perdido
para segundas escolhas,
reflexos abolidos entre estranhas
gravidades, entretido com rudes
brincadeiras e esses sonhos nocturnos
precisos e práticos neste estupor
de corpos que vão ficando de sobra
uns para os outros. Poesia nenhuma,
matemática, simples e atroz.
Faço o caminho de volta, demoro
esses cansados fins de ruas e a linha
de candeeiros, sua líquida luz misturada
de urina, onde perdem a pele as imagens
e oferecem a sua carne aflita ao delírio
que me leva pela mão.
Atravessando jardins suspensos
no assombro monocórdico das flores,
perfume frio e gesto prolongado,
essa vénia num jeito doce e final.
No quarto, enquanto o silêncio rói,
escava os seus buracos, bato uns versos,
extraindo à máquina de escrever
essa grave caligrafia,
como um piano rematando outra
das suas canções de abandono e morte.
Estou só cigarro nos lábios e espero.
Olho as mãos, a marca de um anel
que nunca pus no dedo e que me intriga,
dói-me a sua mordedura e veneno.
Sentada na cama, lá esta ela
de chinelos, balouçando os pés frios,
com o seu ar trágico e indeciso.
Diogo Vaz Pinto
http://www.facebook.com/pages/Bartleby-Bar/142641772455672#!/notes/bartleby-bar/um-poema/158670734186109
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