24/02/2009

"Zadelpijn" - um incómodo tipicamente holandês

(Tradução da notícia) "Pelo menos um milhão de holandeses sofre de "zadelpijn". As queixas mais frequentes são: dores nas nádegas e durante a micção, falta de sensibilidade nas partes genitais e uma diminuição temporária do interesse sexual (início do riso descontrolado do pivot Harmen Siezen). Segundo os investigadores as queixas surgem porque, na altura da compra da bicicleta, muitas vezes não se presta atenção suficiente ao tamanho adequado e à posição certa (do selim). Para terminar: o estado do tempo com Peter Timofeeff". (Telejornal, Holanda 1991)
"Zadelpijn" = "dor nas nádegas por causa de estar montado numa sela ou num selim".
É Carnaval, ninguém leva a mal.... este fragmento é um clássico da televisão holandesa!

21/02/2009

Carnaval: na minha terra chama-se "Vastenavend"...

"Wagetjes kijke" ("espreitar os carros alegóricos") é um evento muito apreciado no fim-de-semana antes de "Vastenavend" em Bergen op Zoom (Holanda), pois durante o desfile é quase impossível ver de perto toda a beleza das construções.

A canção no vídeo é um clássico do Carnaval: "Ik ben zo blij, zo blij dat mijn neus van voren zit en niet opzij!" (para manter a rima: "Estou tão contente, tão contente por ter nariz, não no lado (da cabeça) mas na frente"!)

20/02/2009

Acção Fantasma em Defesa do Clarinete - AFDC

A AFDC vem manifestar o seu apoio incondicional ao clarinete e, no exercício do seu direito de antena anacrúsica, postar portanto uns youtubinhos. (que falta de originalidade) 

John Surman no Clarinete Baixo, com Anouar Brahem e Dave Holland. Pelo que percebi, o vídeo é uma produção da/para a ECM Records.




O Quinteto para clarinete do Mozart é uma obra que mexe comigo.  Foi a primeira música que a minha filha mais velha ouviu depois de nascer.  Durante as primeiras semanas de vida ela ficava especialmente calma quando ouvia o segundo andamento


17/02/2009

Bandoneon: hasta la victoria final - Aníbal Troilo "Pichuco" & Tango Fire!



A última parte deste vídeo (Troilo e orquestra) é lindíssima... ver e ouvir a versão inteira do tema "Quejas de Bandoneon" em http://www.youtube.com/watch?v=yXVLktRRkwY


Fuego!

16/02/2009

Hoje faz anos...




...o autor do blogue "El Diablo en el Ojo", aqui acima no papel de Marechal Carmona na peça (já referida na semana passada) "Longas Férias com Oliveira Salazar".
Ele sim ainda tem a sua ponte (Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira, na foto com campino)!
Parabéns, Pedro Filipe!



Narizes


O meu amigo Fernando Mora Ramos enviou-me este texto que, com a devida autorização, vou 
postar aqui:


NARIZES

"Até me parece infantil esta do nariz, mesmo que na resolução coxa do cartaz o esticado do nariz deixe muito a desejar, sem requinte, desenhado não como inexplicável mistério de crescimento exponencial da carne, porventura exercido sob alçada de um poder da verdade a castigar mentiras, mas esteticamente aposto como uma prótese, miserável quanto a flor de plástico na iludida espera dos labores da abelha e virtudes do pólen fertilizador.

Seria a meu ver menos ofensivo para o nariz e também para o feliz contemplado, se o nariz de que se fala fosse de clown – quem não gostará, uma vez na vida, de mudar de nariz, mesmo num episódico Carnaval na política espectáculo?

Só mesmo na personagem de Gogol o nariz foge do dono e este desespera, a identidade perdida. Sem nariz, nem sequer estatuto de proletário avant la lettre, nobreza leninista por vir, nem mujique, nada, um vácuo de ser. E como o horror ao vazio nos determina mais que o medo do chefe, eis a tragédia metida a farsa: “sou ou não sou, diz-me lá nariz meu que partiste”. Acresce no caso gogoliano que ELE vem com bigode, bilateral e promontório plantado a meio do rosto, ou melhor, do seu desaparecimento, um nariz e peras, protagonista. 

Embora em Portugal se diga depreciativamente que tal tipo é um palhaço, constituindo isso ofensa, um nariz de palhaço ao lado de um de Pinóquio fazem parelha, casal bucha e estica, complemento de extremos desiguais irmanados. Portanto o Pinóquio também é um Clown, mas não sabe e não traz com ele geneticamente a graça que baptiza o outro. 

É das coisas burras que cá se faz, essa depreciação do palhaço – és um palhaço pá – já que é arte subtil e tradição de origens ricas, uma delas nossa. O bobo da corte, assim como o parvo vicentino, cá está, são arautos do que é necessário que se saiba mas não se deve dizer, que o rei vai nu – e nisso o nariz ajuda, porque mascara quem o diz, anonimato que evita policiamento e permite dizer sem peias, ou, outra hipótese, dirige a verdade na direcção para que aponta, míssil, como o nariz antiquíssimo do Capitão da Commedia dell’arte. Neste caso, todo perfil. Il Naso mais que um estatuto é uma máquina de guerra.

Nos antípodas destes, um nariz clandestino, o de Cyrano, capaz de suspiroso verbo e no amor inexcedível, amante dedicado mesmo que interposto alcoviteiro solidário, interessado sem interesses, como não há nesta era da comissão. E este é talvez o mais nobre de entre os narizes, tocado pela flor da beleza. Não há semelhante localmente, peritos em saudade e não em amor prospectivo.

É extraordinário como certos narizes se relacionam com a verdade e com verdades sociais: no caso do clown, o mundo de pernas para o ar baseado numa vocação do apego ao literal retrata o podre das hierarquias, verdade oficial incutida ou imposição inseminada ideológica abrangente.

O nariz do parvo vicentino não é reconhecível à primeira. Infelizmente como tipo não tem o estatuto ímpar da marca portuguesa, mais fidalgote na pose e único concorrente do Arlequim italiano. Do fidalgote, e das Beiras (eles lá são aos molhos), diz-se: “Assim que bafejais logo me cheirais a nabos”, responde quem os vê dentro sabendo como desejam Lisboa e andares nas Avenidas. O parvo vicentino é só nariz, espirra sem sentidos que podem ser lidos como matriz do absurdo, cócegas no calcanhar de intelectuais de setentas ou de noventas, nada a ver com Beckett, criador do supremo clown, homem detrito, sem qualidades.

Como amante das clowneries, memória de Fellini e também do russo Popov – vi-o no Coliseu – diria que se há quem não tenha qualquer possibilidade de ser tocado pela graça genuína do clown é certamente o Primeiro-Ministro. Nem com o nariz de Pinóquio, sem gag, ou de um gag só. Para pior só mesmo o Presidente Cavaco. Nenhum deles se ajeita. Já falando da figura do palhaço rico, isso sim, seriam candidatos possíveis num casting aberto. E já agora que se fala muito de ricos, espero que os taxem também no corte das deduções, aos palhaços ricos. Os palhaços pobres vão rezar por isso."

Fernando Mora Ramos

Escrevinhador

15/02/2009

O artista enquanto espera o subsídio


Cartaz subsidiado pelo Ministério da Cultura (clicar para ampliar).

Fim-de-semana é fim-de-semana...


...devem ter pensado os construtores de andaimes aqui no Alto dos Moinhos.
Material espalhado à toa no asfalto de uma rua movimentada (ao lado do Externato Marista). É ver para crer. Felizmente não houve temporal como no fim-de-semana anterior.

14/02/2009

O instrumento dos deuses


The Tempest

A Tempestade de Shakespeare pela Companhia do Chapitô. Três actores, um pano e um livro em cena até 1 de Março, de Quinta a Domingo às 22h, no Chapitô.


Astor Piazzolla - Bandoneon - Tango Nuevo

Olhando para os resultados da votação até agora, acho que o bandoneon tem uma boa hipótese de ganhar a competição parcial dos aerofones livres, vamos ver se consegue ameaçar a flauta na classificação geral!

Aqui um "masterclass" de Astor Piazzolla sobre o Tango Nuevo (mais de 45 minutos em 5 partes, clicar duas vezes na imagem para procurar as outras partes na coluna do lado direito da página).

Na terceira parte Astor fala um pouco sobre a história e a técnica do bandoneon: "The person who wants to learn this instrument must be a little out of his mind!"

11/02/2009

Karl Richter toca J.S. Bach - Passacaglia & Fuga em Dó menor, BWV 582

O maestro Karl Richter no Dreifaltigkeitsorgel (Órgão da Trindade) da Basílica de Ottobeuren, isto deve trazer votos a este instrumento majestuoso! Aqui a primeira parte com a Passacaglia, a segunda parte com a Fuga em http://www.youtube.com/watch?v=TOnNMXPggVs .

A inscrição no órgão diz: "Laudate Deum in chordis et organo" (vídeo às 6 min. 20 seg.), podia ser o lema destas eleições!

Já dediquei um post ao grande intérprete Karl Richter (16 de Novembro 2007) a tocar a "Toccata & Fuga em Ré menor, BWV 565" no mesmo instrumento: http://www.youtube.com/watch?v=qMycbc7Lusw .