18/01/2009

Inland Empire (2006) & Eraserhead (1977) - David Lynch






Grande madrugada de cinema hoje para os amantes da obra de David Lynch: na RTP 2 a sua última e a primeira longa-metragem, entre as duas um intervalo de quase 30 anos.

"Inland Empire" - lindas imagens ("the film is like an art-installation, the destination is less significant than the journey", Jonathan Ross - BBC), grande papel de Laura Dern, actriz fetiche de Lynch e uma belíssima banda sonora (temas do próprio Lynch, Dave Brubeck, os compositores polacos Penderecki e Lutoslawski e no final a canção "Sinnerman" de Nina Simone, a ver em http://www.youtube.com/watch?v=GfCCIbIapMw ). Aqui um vídeoclip com fragmentos do filme.

"Eraserhead" - o primeiro filme de horror de Lynch e o preferido de Stanley Kubrick. Aqui uma cena emblemática com a canção "In heaven everything is fine" ("Lady in the Radiator"). Famosa é também a "chicken dinner scene": Henry (Jack Nance) é convidado para jantar na casa dos pais da sua noiva Charlotte (futura mãe de um bebé-mutante...), a ver em http://www.youtube.com/watch?v=bBpd5xy-vCY (aviso: não aconselhável a pessoas sensíveis).

17/01/2009

Don Quixote, pela Companhia do Chapitô

Relembrando que está em cena "A Tempestade" no Chapitô, deixo aqui um vídeo de um espectáculo estreado em 2002, e que já não se vai fazer mais. Morreu de velho mas feliz, depois de ter corrido mundo e proporcionado muitas gargalhadas.

Espectáculo Integral. 60 minutos para quem quiser.



15/01/2009

Coração acordeão - Alexandre O'Neill (1946)



Não o amor não tem asas

se tem asas são as mãos

que se enlaçam para a festa

maravilhosa do corpo

e entre elas o coração

coração acordeão

14/01/2009

Ópera do Tejo



Ao pesquisar imagens sobre as ruínas do Teatro Real do Paço da Ribeira, mais conhecido como Ópera do Tejo, descobri aqui que já existe uma versão 3D disponível no second life. Inaugurado em Abril de 1755 e construído  com todos os luxos e tecnologia disponíveis, deve ter sido um teatro maravilhoso e que nem chegou a fazer história.
Estas são algumas imagens que se podem encontrar em operadotejo.org  
E parece que em breve irá estar incluido no projecto THEATRON





O que eu acho estranho é termos de ir ao secondlife para visitar o espaço virtualmente. Será que dentro em breve apenas iremos a teatros e museus virtuais?




13/01/2009

Direito a tempo de antena



(Peço a compreensão dos caros sócios-bloguistas: isto pode muito bem ser uma consequência de fazer três meses teatro de intervenção "Imaculados" (sinopse post 4 de Dezembro 2008).
Depois de uma mesa redonda muito interessante, hoje no Instituto Alemão, com a escritora Dea Loher, sinto-me impulsionado a produzir mais um post sobre um assunto da actualidade política. É como diz a diabética Dona Dulce nos "Imaculados": "O que tem de sair, tem de sair, é o que eu também estou sempre a dizer à minha perna (gangrenada)".


Ontem vi num "talkshow light" da RTP uma entrevista com Fernando Contumélias, um dos autores do livro "Polícia à portuguesa" (ed. Livros d'Hoje).
Em dezenas de entrevistas com elementos da PSP o livro mostra "um retrato dramático" de uma polícia "mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho".
"Homens e mulheres que chegam a passar fome, que tem uma vida familiar desestruturada, problemas de saúde, sujeitos à regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais. Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco a prova de balas. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes rebentam em plena caça ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso...." (sinopse da editora).

O livro foi editado há dois meses e apresentado, com bastante divulgação na comunicação social, no dia 18 de Novembro no Palácio Foz..... pelo antigo Ministro da Administração Interna (!) Ângelo Correia, na presença do actual Ministro da Administração Interna(!!) Rui Pereira....
(a ver em http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=373649%tema=27 ).

Suponho que os autores queiram dar um contributo sério à discussão sobre as forças policiais. Sendo assim, organizar uma apresentação do livro com políticos que fazem ou fizeram parte do Governo (e como tal responsáveis para o estado das coisas descrito na obra) não me parece uma opção muito feliz.
É um tipo de ceremónia que faz lembrar o conceito de "tolerância repressiva", lançado nos anos '60 pelo filósofo Herbert Marcuse (in "One dimensional man", 1964): "A tolerância com os dissidentes da sociedade liberal tem o propósito de servir não para a emancipação de grupos e pessoas explorados, mas para adormecer os impulsos libertários. Com isso, torna-se repressiva, embora sob a aparência de libertadora."

Hoje vi publicado um manifesto que de certeza não vai ter o mesmo direito a tempo de antena na comunicação social que teve o livro acima referido: "Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia", comunicado da Plataforma Gueto sobre um jovem negro de 14 anos, baleado pelo polícia no dia 4 de Janeiro na Amadora, texto em http://ait-sp.blogspot.com/2009/01/mais-um-jovem-negro-e-pobre-assassinado.html .
O comunicado acaba: "Apelamos a mobilização de todos os irmãos contra a violencia policial, a propaganda racista e contra a opressão autoritária. Se a impunidade, o conformismo e o silêncio continuarem os assassinatos continuarão tambem". (assinado: Plataforma Gueto. Sem Justiça não haverá Paz).
Qualquer semelhança com a situação na França, onde se instalou um clima que deu origem a motins nos centros urbanos, não deve ser coincidência...

A situação como descrita no livro "Polícia à portuguesa" pode ser dramática, mas não serão igualmente dramáticas as consequências desta situação para a actuação das forças policiais, nomeadamente em áreas problemáticas como a periferia da Grande Lisboa?

12/01/2009

"A Tempestade" pela Companhia do Chapitô


Estreou, dia 8 de Janeiro, "A Tempestade" - mais uma criação colectiva da Companhia do Chapitô com a direcção de John Mowat. Desta vez o pretexto para a comédia visual é um clássico de Shakespeare.

É uma história de magia, monstros e espíritos numa ilha encantada num mar distante. Conta o que aconteceu nesse mundo de sonho, quando a inocência, o amor, o medo, a malvadez e a vingança entram em choque sob o poder de um grande mágico.

A Tempestade
Autoria: Criação Colectiva Companhia do Chapitô
Encenação: John Mowat
Interpretação: Jorge Cruz, Marta Cerqueira, Tiago Viegas

Até 1 de Março, de Quinta a domingo às 22h00 na Tenda do Chapitô

Reservas: 218 855 550

09/01/2009

Últimos Dias Imaculados


Acaba já este fim-de-semana a temporada de "Imaculados" no Teatro Aberto. Dea Loher, a autora, virá assistir ao último espectáculo (dia 11) e estará disponivel depois para uma sessão aberta.

Como prometido, aqui fica parte do texto que escrevi para o programa:

"Escrever sobre música é como dançar sobre arquitectura" (John Cage)

E eu acrescentaria que o silêncio é onde se edifica o som. Diria mesmo: "In principium erat silentium". E é na escuta do silêncio que encontramos o som que nos harmoniza e afina com os demais.

     Impressões sobre o texto

Depois do século que matou Deus e as Ideologias utópicas fica-nos o quê?

Já ninguém acredita que pode mudar o mundo e o que fica é o vazio da existência sem  uma razão. As ideologias e as instituições desmoronaram proporcionando-nos um espelho para nos observarmos, e com isso podermos mudar e evoluir. Mas já estávamos demasiado cegos para aprendermos com esse reflexo. Já não era credível. Os olhos com que observamos o mundo são cada vez menos nossos e a virtualidade do que vemos distancia-nos cada vez mais da condição humana. Lutar por alguma coisa ou contra ela são dois lados de uma mesma moeda que já não tem  valor. Sem fé e sem esperança torna-se difícil não se estar perante o abismo.

Será que só nos resta escolher entre a cegueira e o desespero?

Penso que a saída está numa entrada. Uma entrada em nós próprios. Local onde é realmente possível transformar e melhorar. Local onde ainda se pode encontrar tudo aquilo que não se encontra fora.

Se o mundo é o reflexo de nós próprios, só o transformamos se nos transformarmos primeiro.

E é aqui que entra o silêncio. É aqui que começa tudo...

"Grito e choro por Gaza e por Israel"


Junto-me aos bloguistas que já chamaram a atenção para o texto publicado por Fernando Nobre (Médicos sem Fronteiras, fundador da AMI - Assistência Médica Internacional) em relação aos acontecimentos dramáticos na Faixa de Gaza. Concordo!

08/01/2009

Homenagem a Joaquim Castro Caldas (1956 - 2008)

Só agora, através do blogue "O País das Mil Ervilhas", eu soube da morte do poeta, diseur e crítico Joaquim Castro Caldas.

Célebres eram as suas noites de poesia nas segundas feiras no Pinguim Café no Porto, mas também na vida nocturna lisboeta ele deixou marcas: em 1995-1996 no Bar do Chapitô (noites de poesia nas quintas feiras na companhia de Paulo Campos dos Reis) e mais tarde num bar perto do Conservatório Nacional no Bairro Alto.

Devolução dos cravos

"um menino uma vez
o tal que há em nós
sujo de liberdade
todo na ponta dos pés
tentou enfiar um cravo
no cano de um G-3

hoje um homem talvez
menino velho sem voz
democrata que se farta
mete o cravo na culatra
e puxa-a de pé atrás
com medo que o seu país"

(do seu livro "Convém Avisar os Ingleses", Quasi edições, 2002)

Um dos seus maiores sucessos como "diseur" era a declamação do poema "As Velhas" http://osabordacereja.blogspot.com/2007/01/as-velhas.html .

Mas para mim pessoalmente o cúmulo foi a sua performance sobre uma carta que em 1987 dirigiu à Fundação Gulbenkian, um texto que não perdeu nada da sua actualidade...

"Subsídio para o suicídio".

"Um dia - como quase todos - acordei sereno estremunhado à noite. Estava farto do mundo em geral e de Portugal em particular. A cortesia era: vou-me matar. Saiu-me isto mas houve uma resposta porreira do outro lado. O que é mais divertido é que a comunicação social estrangeira percebeu que eu estava a brincar.
Portugal não."

J.C.C.
Rua da Lapa XX-X,
1200 Lisboa

Ex.mo Sr.
De certa forma desenquadrado de e epidermicamente hostil ao tão inculto Surrealismo nacional (movimento irreversível que consiste em Surrar - O - Realismo às Minorias Absolutas através das Maiorias Anónimas) e na fiel linha lunática, tradição suicida e corrented'ar estética da Poesia Portuguesa, venho por esta brevíssima e humilde missiva solicitar à Fundação Gulbenkian, sempre tão prestável e atenta, uma urgente audiência (na pessoa da V. Ex.a com quem, como tenho vindo ao longo dos anos a constatar e sem qualquer lisonja hipócrita, as novas gerações mais prezam o diálogo civilizado e o respeito pela inteligência) audiência essa destinada à concessão de um mísero (face aos vossos fartos recursos) subsídio que, não sendo por certo habitual pedir nem provar, muito honraria o brilho da vossa já quase secular instituição, contribuindo para uma nobre, sã, airosa, decidida e eficaz saída do meu penoso caso lírico pessoal.

Assim sendo, e não ousando abusar muito mais da infinitamente piedosa e tolerante curiosidade de V. Ex.a, passo d'imediato a expor o detalhado rosário de inconfessáveis e vis matérias primas ou sinistros objectos que me propus atribuir um (eventual) orçamento: um revolver (50 mil escudos); munições adequadas (20 mil escudos); um socrático litro de sicuta, um cálice de cobre e uma rodela de manga, para a hipótese de a primeira tentativa se amedrontar (P.V.); algum cianeto e bastante nitroglicerina, para a hipótese da segunda tentativa não passar de um romântico aperitivo ou de uma inconsequente chantagem moral (preço a regatear); cremação do corpo e lançamento de cinzas ao Tejo (500 mil escudos); cachet de 20 palhaços da Companhia de Circo de Lisboa para a citada ceremónia fúnebre (250 mil escudos); cachet da Banda dos Bombeiros Voluntários que chegarem primeiro executando a canção das Crianças Mortas de Mahler, na ocorrência (500 mil escudos, com descontos para poetas e afins); arredondando a coisa deve andar lá perto dos 1000 contos, o que é isto nos tempos que vai correndo? Convenhamos que toda a Morte que se estime não olha a meios para dignificar os seus fins...

Esperando contribuir coma minha modéstia para uma lufada na monotonia da correspondência de que, desejo temê-lo, V.Ex.a será vítima, e desde já agradecendo o vosso empenho generoso, sem mais por ora me subscrevo, com admiração pela paciência de santo de V. Ex.a, exalando confiança, irradiando ansiedade.

Joaquim Castro Caldas



E aqui a resposta....

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa - 1, PESSOAL

Ex.mo Senhor Joaquim Castro Caldas
Rua da Lapa XX/X
1200 Lisboa

Lisboa, 31 de Julho 1987

Caro Senhor,

Tenho a honra de acusar a recepção da carta da Vossa Senhoria, sem data mas com lata, na qual solicita subsídio que lhe permita morrer com pompa (e não troco os bb pelos pp) e circunstância.

De início interroguei-me sobre a questão de saber em qual dos quatro fins da Fundação Gulbenkian (artísticos, educacionais, científicos e caritativos) tal desiderato se podia inscrever, mas rapidamente cheguei à conclusão de que em qualquer deles, ou em todos concomitantemente, se inscreveria.
Pensei então em pedir o aliás douto parecer da Agência Barata (se bem que intuitivamente eu adivinhasse que ela qualificaria o orçamento apresentado de sumptuário), mas referi, antes disso, procurar nos nossos arquivos antecedentes pedidos para o mesmo fim e verifiquei sem surpresa que - dada a premente necessidade de reduzir as nossas despesas - todos os numerosos apoios financeiros requeridos para viagens alternativas para Inferno, Céu ou Purgatório foram invariavelmente negados e, como é óbvio, não me parece curial a criação de precedentes.

Nestes termos, sinto informar a V. Ex.a que não é possível atender a solicitação que me dirigiu, ainda que lamente o consequente facto de ficar condenado a viver mais alguns anos. A não ser que - se me permitir a sugestão - opte pela solução da corda, do gancho e do banquinho, solução que, por ser barata, poderá até ser apoiado pela Secretraria de Estado da Cultura. Ou ainda (porque não?) - e eis uma variante absolutamente gratuita - a solução do lago do Campo Grande, desde que obtida prévia autorização do Senhor Eng. Nuno Abecassis.

Entretanto sou de V. Ex.a
Atentamente até ao Outro Mundo,
e muito mais depois,

Pedro Tamen


07/01/2009

Nicanor Zabaleta - O Harpista Basco

Continuando a campanha pela Harpa, deixo-vos as "variações sobre um tema de mozart" do Glinka, tocados pelo grande harpista basco  Nicanor Zabaleta que (acabei de ver na wikipedia) faria hoje 102 anos.

05/01/2009

Vota HARPA

Parece que a campanha para eleger "O Cordofone" (coluna da direita) está a sofrer um "surto votal" oriundo de outros blogues. Primeiro começou o ataque ao voto ao violino, vindo do blog do Fernando Vasconcelos e depois seguiu-se o pianoman, que num blog de pianistas fez um apelo às armas.

É assim mesmo a democracia bloguiana...


Mas desta vez venho apelar ao voto no Instrumento de Corda por Excelência (ICE) - a HARPA. 
A HARPA é a representação pura do som da corda, é a forma resultante da matemática primária da divisão do comprimento de onda, do encontro natural com os harmónicos. O seu som puro e cristalino, remete-nos para algo pacífico, quase divino.

Por isso eu digo. Não se deixem levar por lobbys de instrumentos muito popularizados.

VOTEM HARPA.

Izthak Perlman & Yo Yo Ma - Humoresque nº 7 (Dvorák)

Depois de ouvir a música no blogue "A Lua Flutua" (post de anteontem) apeteceu-me ouvir e ver os intérpretes... São mais uns votos para violino e violoncelo!

Vídeo tirado do DVD "Dvorák in Prague - A Celebration" (1993), concerto de comemoração do 100º aniversário da obra "From the New World", a sinfonia mais conhecida do compositor checo.